FrontPage


Aspetos a Observar na Construção de um Inquérito por Questionário

Equipa Amostra Equilibrada - Fernanda Ledesma, Ida Brandão, Rui Costa, Vitor Reis

 

Introdução

  

Este é o trabalho de grupo da equipa Amostra Equilibrada que irá sistematizar alguns dos aspetos a observar na construção de um inquérito por questionário, no âmbito do tema Técnicas de recolha e análise de Informação - Dados Quantitativos - Técnicas de Recolha. As discussões deste trabalho decorreram através de email e de videoconferência (BigBlueButton). Este trabalho está disponível em http://construcao1inquerito1questionario.pbworks.com, uma vez que a ferramenta PBWorks é mais flexível e permite a incorporação de código html/java, permitindo correr vídeos e outras aplicações.

A investigação baseada em inquérito envolve a recolha de dados a partir de um universo ou amostra de população recorrendo ao instrumento de questionário. As vantagens deste tipo de investigação residem no facto de ser prático e eficaz estudar a partir duma amostra e poder generalizar resultados.

 

1. Questões da investigação e hipóteses - Objetivos da inquirição

 

A escolha duma investigação por inquérito deve pressupor uma reflexão sobre as questões que suscitam a investigação e a eventual formulação de hipóteses a verificar na investigação.

Previamente à inquirição devem ser elencados os objetivos do que se pretende investigar bem como a população a inquirir. Será útil refletir sobre questões de vária ordem, por ex:

 

Questões sobre a População

É possível enumerar a população? - A população é alfabetizada? - Colocam-se problemas de domínio da língua? - A população irá cooperar? - Existem restrições geográficas?

Questões sobre a Amostra

Que dados estão disponíveis? - Os respondentes são identificáveis? - Quem é o respondente? - Todos os elementos da população podem ser elegíveis para a amostra? - As taxas de resposta poderão ser um problema?

Questões sobre as Perguntas a formular

Que tipo de perguntas podem ser formuladas? - As perguntas são demasiado complexas? - A sequência das perguntas pode ser controlada? - Serão formuladas perguntas extensas? - Serão usadas escalas extensas para as respostas?

Questões de conteúdo

Espera-se que os respondentes tenham conhecimento sobre o que se pergunta? - Os respondentes têm de consultar arquivos/registos?

Questões Dúbias

Será possível evitar a estratificação de classe social? - O papel do entrevistador pode ser controlado face a eventual distorção e/ou subversão? - Podem ser evitados os falsos respondentes?

Questões administrativas

Custos e instalações

Tempo e pessoal

(traduzido e adaptado de slideshare do Prof. Hora Tjitra)

  

Apresentamos um vídeo sobre «Survey Design Best Practices»

 

 

 

2. População-alvo

  

Numa investigação empírica lidamos normalmente com casos, que podem ser pessoas singulares, famílias, países ou qualquer outra entidade sobre a qual se pretenda recolher dados. Ao conjunto total dos casos sobre os quais se pretende obter conclusões dá-se o nome de População ou Universo. É o objetivo da investigação que determina a natureza e a dimensão do Universo (Hill & Hill, 2005).

Normalmente o investigador não dispõe de tempo nem de recursos suficientes para recolher e analisar cada um dos casos do Universo, considerando uma parte desse conjunto que constitui a designada amostra do Universo. Para que as conclusões que resultam da análise dos dados da amostra possam ser extrapoladas para o Universo é necessário que a amostra seja representativa desse Universo. Contudo, se a amostra for retirada sem ter sido tida em consideração a sua representatividade, não é possível extrapolar as conclusões para o Universo com confiança.

Para garantir que os resultados da análise de uma amostra possam ser extrapolados com confiança, o investigador pode escolher um Universo suficientemente reduzido que possibilite a recolha de dados de todos os casos ou, caso o Universo seja demasiado grande para recolher dados de cada um dos casos, escolher uma amostra representativa utilizando métodos formais de amostragem.

Os métodos formais de amostragem podem ser agrupados em duas categorias (Hill & Hill, 2005):

· Métodos de amostragem casual (ou probabilísticos)

Vantagens: permitem demonstrar a representatividade da amostra e estimar (estatisticamente) o grau de confiança com o qual as conclusões tiradas da amostra se aplicam ao Universo.

Desvantagens: é necessário conhecer todos os casos do Universo.

Principais métodos de amostragem casual:

· Métodos de amostragem não – casual (ou não probabilísticos)

Vantagens: a amostra é facilmente acessível e não requer o conhecimento de todos os casos do Universo o que tornam estes métodos mais rápidos e mais económicos.

Desvantagens: os resultados e conclusões obtidos com a amostra só se aplicam à amostra e não permitem extrapolar para o Universo.

Principais métodos de amostragem não – casual:

O tipo de amostra será definido pelo objetivo da pesquisa e pela dimensão e acessibilidade da população-alvo (Gunther, 2003).

A dimensão da amostra é determinada tendo em conta a precisão requerida para os resultados (pois existe sempre um erro que se pretende que seja o mais reduzido possível) e as limitações de tempo e de custo da investigação. Quanto maior for a amostra, maior é a precisão, mas também maior é o custo.

A determinação da dimensão da amostra requer cálculos matemáticos complexos, no entanto existem já ferramentas online que facilmente nos indicam o nº de casos a estudar, partindo da margem de erro e do nível de confiança pretendido no estudo.

 

3. Tipos de inquérito

  

Em função dos objetivos:

Em função do formato que pode tomar:

Existem questionários: abertos, fechados e mistos;

Quando as unidades de amostragem são seres humanos, os principais métodos de recolha de informação são:

Questionários são geralmente escritos ou qualquer outro instrumento que o entrevistado utiliza para completar as questões de forma individual ou em grupo.
Entrevistas são preenchidas pelo entrevistador baseado no que entrevistado diz.

 

4. Construção de questionário

  

4.1. Identificação de variáveis e indicadores

 

As variáveis podem ser classificadas segundo: a) a natureza; b) a amplitude das unidades de observação; c) a escala de medição; d) a posição na investigação e e) a relação que estabelecem entre si.
Nesta abordagem é a posição na investigação que nos interessa, que segundo Tuckmam (2005) são classificadas de acordo com os seguintes tipos:

Variável independente (X)
É aquela que influencia, determina ou afecta outra variável. É um factor determinante, condição ou causa para determinado resultado, efeito ou consequência.

Variável dependente (Y)
valor (fenómeno ou factor) a ser explicado ou descoberto, em virtude de ser influenciado, determinado ou afectado pela variável independente.

Por exemplo, se pretendermos analisar a relação entre o nº de faltas e os resultados obtidos pelos alunos no final do ano letivo.
Variável Independente(X) – nº de faltas

A questão que se coloca é o que sucederá a Y se fizermos aumentar ou diminuir X

Variável moderadora (M)
O termo variável moderadora descreve um tipo especial de variável independente. Situando-se porém num nível secundário relativamente à variável independente.
Seleccionada num estudo para descobrir se M tem influência ou modifica a relação da variável independente(X) e dependente (Y).

Por exemplo, na relação entre o nº de faltas(X) e os resultados obtidos (Y) acrescentar a variável sexo(M).
Além de verificarmos o que sucede a Y se aumentarmos ou diminuirmos X, vamos analisar as diferenças entre os sexos.

Variável de controle (C)
Factor neutraliza ou anula com a finalidade de impedir que interfira na análise da relação entre X e Y
A importância da variável de controle aparece na investigação de situações complexas, quando se sabe que um efeito não tem apenas uma causa, mas pode sofrer influências de vários factores.
Enquanto que a variável moderadora pretende analisar mais detalhadamente, os efeitos da variável de controle são neutralizados.

Variável interveniente (I)
O que se procura descobrir através da manipulação destas variáveis não é, muitas vezes, algo concreto, mas apenas hipotético.
Uma variável interveniente é um factor que, teoricamente, afeta o fenómeno observado, mas não pode ser observado, nem medido, nem manipulado.
Por exemplo: a frustração associada aos resultados obtidos pelo alunos.

4.2. Tipos de questões 

 

Relativamente à classificação do tipo de questões não é consensual entre os diferentes autores, Thuckman (2005) quanto ao formato classifica-as em diretas versus indiretas, específicas versus não-especificas, factos versus opinião, questões versus afirmações e questões com reposta pré-determinada versus questões  de resposta-chave, enquanto que Hill (2005) qualifica-as por questões gerais e específicas, fechadas e abertas. A classificação mais conhecida, do senso comum, são as questões de resposta aberta e de resposta fechada.

Questões abertas:

Nas questões de reposta aberta o inquirido tem mais liberdade de expressão, surgem respostas mais diversificadas e mais fiéis à opinião do inquirido, no entanto também são de mais difícil organização e categorização. As questões de resposta aberta poderão ser tratadas recorrendo à técnica de análise de conteúdo.

Exemplo: " Qual a tua opinião sobre da sessão de esclarecimento sobre o tema redes socais?"

Questões fechadas:

As questões do tipo fechado, nas quais as opções de respostas possíveis são previamente definidas, por exemplo entre duas respostas (sim e não) ou entre várias respostas (escolha múltipla) são mais facilmente quantificáveis, facilitam a categorização para posterior análise e permitem contextualizar melhor a questão, garantem também maior fidelidade uma vez que todos os respondentes estão subordinados às mesmas opções, o que depois facilita a comparação das respostas, mas limitam o inquirido às opções. As questões de tipo fechado podem ser objecto de tratamento em quadros e gráficos.

Tabela 2- Vantagens e desvantagens dos diferentes tipos de questões

 

TIPO DE QUESTÕES

VANTAGENS

DESVANTAGENS

Resposta aberta

  • Preza o pensamento livre e a originalidade;

  • Surgem respostas mais variadas;

  • Respostas mais representativas e fiéis da opinião do inquirido;

  • O inquirido concentra-se mais sobre a questão;

  • Vantajoso para o investigador, pois permite-lhe recolher variada informação sobre o tema em questão.

  • Dificuldade em organizar e categorizar as respostas;

  • Requer mais tempo para responder às questões;

  • Muitas vezes a caligrafia é ilegível;

  • Em caso de baixo nível de instrução dos inquiridos, as respostas podem não representar a opinião real do próprio.

Resposta fechada

  • Rapidez e facilidade de resposta;

  • Maior uniformidade, rapidez e simplificação na análise das respostas;

  • Facilita a categorização das respostas para posterior análise;

  • Permite contextualizar melhor a questão.

  • Dificuldade em elaborar as respostas possíveis a uma determinada questão;

  • Não estimula a originalidade e a variedade de resposta;

  • Não preza uma elevada concentração do inquirido sobre o assunto em questão;

  • O inquirido pode optar por uma resposta que se aproxima mais da sua opinião não sendo esta uma representação fiel da realidade.

 

A decisão sobre o tipo de questões a utilizar depende do tipo de informação de que dispomos. Por exemplo, se não temos uma ideia concreta acerca das opções que se colocam ao problema que queremos resolver, será útil fazer um questionário com perguntas abertas que nos ajudará a recolher grande quantidade de informação.

Continuando na classificação de Hill (2009) as perguntas gerais e específicas distinguem-se uma se referir a situações de carácter geral e a outra a situações específicas.

Por exemplo:

 

Geral

Gosta de teatro? Sim/Não

Específica

Gosta da peça de teatro quem tem medo de Virgínia Woolf? Sim/Não

 

Classificação de Tuckman (2005)

 

Diretas versus indiretas

“A diferença reside no facto de ser mais ou menos óbvio que determinado segmento de informação está solicitado na questão”(p.309).

  • Direta: Gosta de ser professor?

  • Indireta: O que pensa sobre ser professor?

“A abordagem indireta tem a indireta tem mais probabilidade de produzir respostas francas e abertas, embora possa ser necessário um maior número de questões para recolher informação relevante”(p.309).

Específicas versus não-específicas

“As questões específicas concentram-se num determinado objeto, pessoa ou ideia, em relação aos quais se solicita uma atitude, crença ou conceito” (p.309).

  • Específicas: Gosta de utilizar os tablets da ACER?

  • Não-específicas: Gosta de utilizar tablets?

“As questões específicas podem levar o sujeito a ser cauteloso e a dar respostas pouco sinceras, as não específicas, podem levar indiretamente à informação desejada e com menos alarme” (p.309)

factos versus opinião

As questões podem exigir referência a factos ou requerer apenas opiniões.

  • Factos: Qual é a marca do seu computador portátil?

  • Opinião: Tem preferência por computadores HP ou Toshiba?

Segundo o autor “o desejo consciente de dar uma determinada impressão, nem sempre conduz a uma resposta factual, tal como as opinativas, nas quais podem ocorrer respostas baseadas na expetativa social” (p.310).

questões versus afirmações

A diferença está na elaboração de uma pergunta direta ou na formulação da questão em forma de afirmação.

  • Questão: Pensa que o dia de trabalho deveria ser mais extenso? sim/não

  • Afirmação O dia de trabalho vai ser acrescido de meia hora. concorda/discorda

As duas conduzem a resultados idênticos.

questões com reposta pré-determinada versus questões de resposta-chave

“Alguns questionários pré-determinam o número de respostas a dar. Outros são elaborados de modo a que as questões subsequentes a uma questão com chave, possam ou não ser respondidas, dependendo da resposta chave"(p. 311).

  • Exemplo de questões de resposta chave: Concorda com a educação para a saúde nas escolas? Sim/não.

Se sim, passe para a questão seguinte. Se não, passe à questão nº 6.

A decisão de responder depende da resposta dada anteriormente.

 

          4.3 Escalas

 

Segundo Moreira (2009) chama-se escala a um conjunto de itens através dos quais se pretende medir uma determinada caraterística numa população de indivíduos.

Segundo Stevens, (1946) podemos usar os números segundo as suas diferentes propriedades, dando origem a quatro tipos de níveis ou escalas de medida :

  

Escala Nominal
As escalas nominais são meramente classificativas, permitindo descrever as variáveis ou designar os sujeitos, sem recurso à quantificação.
Os números são usados como etiquetas (nomes ou categorias) para identificar os objectos medidos. A única operação que permitem é a contagem (frequências e moda).
Ex: Curso que frequenta: 1 – Ciências; 2 – Ciências Sociais; 3 – Humanidades; 4 – Artes

Escala Ordinal

Nas escalas ordinais os indivíduos ou as observações distribuem-se segundo uma certa ordem, que pode ser crescente ou decrescente, permitindo estabelecerem-se diferenciações. A escala ordinal é a avaliação de um fenómeno em termos da sua situação dentro de um conjunto de patamares ordenados, variando desde um patamar mínimo até um patamar máximo.

Ex: Posições numa competição : 1º, 2º , 3º

Escala Intervalar
A escala intervalar é uma forma quantitativa de registar um fenómeno, medindo-o em termos da sua intensidade específica, ou seja, posicionando-o em relação a um
valor conhecido arbitrariamente denominado como ponto zero.
Os números são usados para expressar as distâncias (intervalos) entre os objectos, consoante a “quantidade” da característica medida. A localização do 0 é convencionada (0 não significa “ausência de”).
Ex: temperatura : 0 graus a 50 graus

Escala de Razão ou de Quociente
Possui as mesmas propriedades da escala intervalar, mas inclui um 0 absoluto (0 significa “ausência de”).
É possível estabelecer relações de proporcionalidade entre os valores destas escalas.
Ex: peso, tempo (em geral, as medidas físicas)

Atualmente a tipologia de Stevens apresenta limitações, pois entretanto evolui ou surgem outras classificações para obter medidas compósitas.

 

O método ordinal, escala de Guttman
A escala de Guttman apresenta um conjunto de respostas que estão hierarquizadas. Deste modo se um inquirido concordar com uma das opções está a concordar com todas as que se encontram numa posição inferior na escala. Se o inquirido concordar com uma opção mas não concordar com as anteriores, tal significará que a escala está mal construída. A cada item é atribuído cotação que se inicia em zero caso não seja escolhida nenhuma opção, um se for escolhida a primeira opção, dois se for escolhida a segunda opção e assim sucessivamente.
Especialmente adequado para medir atitudes.

O método de intervalos, escala de Thurstone
Série ordenada de itens, ao longo de um segmento contínuo, desde o mais positivo ao mais negativo. Escala que fornece medidas de nível intervalar, partindo do pressuposto de que os indivíduos tendem a concordar com os itens que expressam uma opinião próxima da sua e a discordar dos restantes

Ex: Que atitude associa ao(à) inspector(a)?
Hostil/Irritado/Zangado/Cortês/Simpático/Amistoso/Afectuoso


O método somativo, escala de Likert
Escala de tipo, oferecendo um amplo leque de respostas; graduação idêntica às escalas de intensidade
Ex: Em que circunstâncias se justifica a expulsão de um aluno da escola que frequenta?

1. Nunca
2. Em casos excepcionais, quando um comportamento particularmente grave contra um aluno, professor ou funcionário exige uma punição rápida
3. Como punição por qualquer comportamento grave contra um aluno, professor ou funcionário
4. Como punição por qualquer ofensa contra um professor ou funcionário
5. Como punição por qualquer ofensa contra um professor

O modelo de traço latente, ou teoria da resposta ao item (tri)
do Traço Latente” (TTL), o nível do traço de um indivíduo é estimado a partir das respostas que ele dá aos itens que lhe são apresentados e não através da comparação do seu desempenho face à média e desvio-padrão dos resultados num qualquer grupo de referência.

São ainda conhecidos mais alguns tipos de escalas para medição de atitudes e opiniões
 

Diferenciador semântico
Escala com adjectivos bipolares, alternando pólos positivos e negativos
Ex: O meu professor é

 

Escala de intensidade
Escala com vários níveis, através dos quais o sujeito se posiciona; inclui itens a favor e contra o tema em causa
Ex: Que pensa da pedagogia por objectivos?
1. discordo totalmente; 2. discordo; 3. concordo; 4. concordo totalmente 

 

          4.4. Introdução ao questionário

  

Na elaboração do questionário deverá ser contemplada uma breve introdução, na qual o investigador deve contemplar os seguintes aspetos: 

 

          4.5. Formato/layout

 

É desejável que o “layout” do questionário seja atraente de modo a captar a atenção do potencial respondente que, numa primeira observação, avalia o interesse do questionário pelo seu aspeto gráfico e pela sua dimensão, fatores que habitualmente condicionam a sua predisposição para efetivamente responder ao questionário. Um questionário com uma aparência esteticamente atraente, que denota igualmente um cuidado do investigador na escolha da qualidade e cor do papel, bem como, na qualidade da impressão, tem maior probabilidade de atrair o respondente para o seu preenchimento.

A dimensão do questionário condiciona a perceção do respondente sobre o esforço e o tempo que é necessário despender para o seu preenchimento, o que poderá desmotivar o respondente no caso de ser demasiado extenso. Contudo, a dimensão do questionário não deverá ser reduzida sacrificando a sua clareza, nomeadamente através da redução do tamanho da letra, dado que esse artifício é facilmente identificável pelo respondente.

A clareza do questionário, no que diz respeito à sua aparência, é definida pelo tamanho e tipo de letra utilizado, pelos espaços entre as questões e dentro das escalas de resposta e pela separação entre as diferentes secções de perguntas.

 

          4.6. Instruções de preenchimento

 

As instruções dadas no questionário são fundamentais para garantir o seu correto preenchimento. Se o questionário for aplicado por um entrevistador as instruções de preenchimento normalmente são dirigidas ao entrevistador. Nos casos em que o questionário é distribuído por correio ou email o investigador deve fornecer instruções claras aos respondentes sobre o modo de preenchimento, de forma a clarificar quaisquer dúvidas que possam surgir. As instruções podem ser relativas a uma questão ou a um grupo (secção) de questões, sendo especialmente importante dar novas instruções sempre que surge um novo tipo de questões (ex: transição de questões abertas para fechadas), eventualmente dando exemplos do modo correto de assinalar a resposta.

A falta de instruções ou instruções vagas e pouco claras podem colocar em causa o valor dos dados e das respetivas conclusões.

 

          4.7. Verificação/teste


A verificação do questionário permite ao investigador avaliar a adequação do questionário a utilizar. Antes de aplicar o questionário o investigador deve proceder a uma revisão pormenorizada de modo a evitar erros ortográficos, gramaticais ou de sintaxe, que poderão provocar erros ou induções nas respostas dos inquiridos.

 

Antes da aplicação dos questionários deve realizar-se um pré-teste tendo como alvo uma “amostra piloto” que preencha o questionário, preferencialmente na presença do investigador, com a finalidade de validar as questões utilizadas e identificar eventuais questões que, pela sua sintaxe ou construção, podem induzir erros de interpretação. O pré-teste serve igualmente para o investigador perceber o tempo que, em média, os respondentes vão levar a preencher o questionário.

 

Segundo Foddy (1996) o investigador deve partir do princípio que alguns dos inquiridos não irão interpretar corretamente ou com o sentido desejado as suas questões, pelo que se torna pertinente a realização de um pré-teste ou estudo piloto, sendo certo que tal procedimento não assegura uma adequada verificação da validade das perguntas.

 

          4.8. Recolha online/recolha presencial

 

Processos possíveis de recolha de dados online, depois de definido o universo do estudo e a amostra:

  • Modo passivo: Elaborar como um formulário disponibilizado num site para o entrevistado aceder, quando vista o mesmo.
  • Modo ativo: Utilizando o correio eletrónico:
  • Criar formulário do questionário numa plataforma web.
  • Escolher população alvo e fazer levantamento dos endereços de correio eletrónico.
  • Definir estratégia de envio, intervalo de tempo, repetições, personalizados ou não, etc.
  • Envio de mail com o link de acesso ao inquérito.

Numa forma ou noutra as respostas são guardadas em base de dados para posterior tratamento pela própria aplicação gerando relatórios de análise ou exportando para utilização numa outra aplicação informática.
Recolha presencial.
Processos possíveis de recolha de dados na forma presencial, depois de definido o universo do estudo e a amostra:

  • Teste
  • Entrevista
  • Estudo de Campo
  • Estudos de Mercado

Neste formato o entrevistador ou investigador interage com o ou os inquiridos, utilizando questionário em papel ou com algum suporte eletrónico e informático.

 

          4.9. Aplicações informáticas e tratamento estatístico

 

Exemplo de algumas ferramentas gratuitas online, que permitem a conceção e formulação de um questionário e de algum tratamento estatístico ou exportação de dados.

A utilização de software estatístico implica um adequado conhecimento das técnicas estatísticas envolvidas e das capacidades e funcionalidades das aplicações informáticas.
De uma forma genérica e simplificada, as aplicações estatísticas, lidam com a análise estatística de dados estruturados algumas etapas:

  • Introdução dos dados no programa (ou importação do ficheiro de dados com origem numa noutra aplicação).
  • Escolha ou seleção do procedimento de análise estatística a aplicar.
  • Seleção das variáveis a utilizar.
  • Apreciação e interpretação dos resultados

 

O Excel é uma poderosa folha de cálculo, que para além de múltiplas funcionalidades, permite ainda fazer análise estatística de dados, através de um conjunto de funções e procedimentos avançados. Reconhecendo as capacidades do Excel como ferramenta para a análise estatística de dados e com um excelente suporte didático e de ajuda existem outros programas considerados mais representativos na sua qualidade e capacidade de resultados.

O SPSS (Statistical Package for the Social Sciences) é um software constituído por módulos, integrando todas as etapas do processo analítico desde o planeamento à recolha, acesso e gestão dos dados. O SPSS, sendo uma solução modular, permite-lhe adicionar novas funcionalidades e integrar outros produtos de software autónomos, apresentando sempre a mesma estrutura de utilização.

O Minitab , é um software estatístico de capacidades intuitivas. Permite obter estatísticas descritivas, simulações e distribuições, inferência estatística elementar, análise da variância, regressão, análise de dados categóricos, métodos não paramétricos, análise de séries temporais, etc.

O SAS é um conjunto integrado de aplicativos informáticos com capacidade para o tratamento de grandes volumes de dados. A funcionalidade do sistema é construída à volta de quatro aspetos: acesso aos dados; gestão dos dados; análise dos dados e apresentação dos dados.

O Statistica Base é um aplicativo autónomo que inclui estatísticas descritivas (correlações, testes t e outros testes para as diferenças entre grupos, tabelas de frequências e cruzamentos), métodos de regressão múltipla, métodos não paramétricos, rotinas de ANOVA/MANOVA, módulos de ajustamento das distribuições e um vasto conjunto de ferramentas para gráficos.

 

Foi construído um mindmap sobre o Inquérito por Questionário que se encontra no Mind42:

 

 

 

5. Exemplo de estudo extensivo

 

Foi objeto de análise um estudo extensivo oficial - II Inquérito Nacional ao Consumo de Substâncias Psicoativas na População Portuguesa, de 2007, promovido pelo Instituto da Droga e Toxicodependência e encomendado à Universidade Nova de Lisboa/FCSH.

 

 

 

6. Representação Esquemática

 

Representação esquemática

 

 

Referências bibliográficas

 

Ferreira, M.J e Campos, P.(?). XI-Inquérito Estatístico - uma introdução à elaboração de questionários, amostragem, organização e apresentação de resultados. Dossiers Didáticos. Alea e INE. Consultado em 10/01/2012 e disponível em: http://homepage.ufp.pt/cmanso/ALEA/Dossier11.pdf

 

Hill,M.M. e Hill. A.(1998).A construção de um questionário. Dinâmia.Centro de Estudos sobre a Mudança Sócio Eonómica.Consultado em 10/01/2012 e disponível em:http://repositorio.iscte.pt/handle/10071/469

 

IDT.(2007). II Inquérito Nacional ao Consumo de Substâncias Psicoativas na População Portuguesa . Consultado em 10/01/2012 e disponível em: http://www.idt.pt/PT/Investigacao/Paginas/EstudosConcluidos.aspx

 

Sniscalco, M.T. e Auriat, N.(2005).Questionnaire design. Module 8.UNESCO. IIEP. Consultado em 10/01/2012 e disponível em:http://www.iiep.unesco.org/fileadmin/user_upload/Cap_Dev_Training/Training_Materials/Quality/Qu_Mod8.pdf  

 

Tjitra,H.(2011).Designing questionnaire and survey research.Slideshare. Consultado em 10/01/2012 e disponível em: http://www.slideshare.net/horatjitra/designing-questionnaire-and-survey-research

 

Tuckman, B. (2005). Manual de Invetigação em Educação. Como conceber e realizar o processo de investigação em Educação. Fundação Calouste Gulbenkian.

Ghiglione, R. & Matalon, B. (2001). O Inquérito. Oeiras: Celta Editora.

 

Outras referências bibliográficas podem ser consultadas nos Pearltrees de Ida Brandão; Vitor Reis ; Fernanda Ledesma